Ao que pensei já ter morrido,
Vejo florescer entre fagulhas e sorrisos
Chama serena em um território já feliz
Que não precisaria de mais fogo
E não considerava viver novos ardis
A imaginada morte voluntária
Do coração inteiro para um
Viver assim estava lindo
Viver assim bastava
Eu vi como surgiu
Foi naquela noite, no final de maio
Entre gargalhas inesperadas
Brotou simples e bruto
Um desejo sutil
Que, agora, escala nas madrugadas
Circunda a imaginação
Promete toques e arfadas
Mas entrega só especulação
Espero, não sei com que pressa
Observo sorrateira
Solto palavras explícitas
Ouço outras iguais
Desconhço a outra margem
Se anseia, se está em paz
Quem diria
O desejo para um
Virou o desejo para três
O espetáculo da inesperada natureza humana
Provando da sua própria insensatez
Está tudo dito entre dois
Não se sabe se entre quatro
Haveria o mesmo rio irrigando
Dois diferentes casais em cada quarto?
