segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Drummondiana, ou o outro lado da margem




Ao que pensei já ter morrido,
Vejo florescer entre fagulhas e sorrisos
Chama serena em um território já feliz 
Que não precisaria de mais fogo 
E não considerava viver novos ardis

A imaginada morte voluntária
Do coração inteiro para um 
Viver assim estava lindo 
Viver assim bastava

Eu vi como surgiu
Foi naquela noite, no final de maio
Entre gargalhas inesperadas
Brotou simples e bruto
Um desejo sutil

Que, agora, escala nas madrugadas 
Circunda a imaginação
Promete toques e arfadas
Mas entrega só especulação

Espero, não sei com que pressa
Observo sorrateira 
Solto palavras explícitas 
Ouço outras iguais 
Desconhço a outra margem 
Se anseia, se está em paz

Quem diria
O desejo para um
Virou o desejo para três
O espetáculo da inesperada natureza humana
Provando da sua própria insensatez

Está tudo dito entre dois 
Não se sabe se entre quatro 
Haveria o mesmo rio irrigando 
Dois diferentes casais em cada quarto?