sexta-feira, 25 de novembro de 2022

A terra seca do meu coração




O solo é pleno de solidão
Aqui, ninguém planta saudade e nem colhe atenção
Os dias passam agrestes 
Na terra seca do meu coração




Dez de copas



O dez de copas serve o amor em cada taça
Copos sobre a mesa, bebo a cachaça
Qualquer afeição que escorre
Logo evapora
Talvez tenha mentido
Esse tal dez de copas

Não flui




Pergunto se existe algum afeto pelo qual valha a pena sentir

Esse amontoado de sentimentos precisa fluir


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Como nascem as ondas

 




Há uma boca gigante soprando no mar
Abaixo dele mãos terrosas cismam
Atiçadas pela fome do fogo
Vêm do ventre quente que se esconde da gente
De onde vibram os continentes
Na metade dos extremos
O mar de lâmina separa elementos
Às dezessete horas fica violento
Cospe espumas, desfaz terrenos
No domingo à tarde vejo-o sereno
Verde-escuro-cristalino, abraço salino
Posso, enfim, mergulhar


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Escalas

 




Tenho
A fome do cupim
A persistência da traça
A resiliência da barata
E a vontade de formiga
Cada ser com a sua grandeza


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Queimadura no prato



Quero o meu prato sem berro
Sem elo com sangue
Sem a teta desmamada, inflamada
Bicho sem couro
Casaco, pele e dor
Abracei uma galinha
Feliz de quem come capim
Já disse, quero um prato simples
Sem queimadura de onça,
Pedaço de Amazônia
Sofrimento do Pantanal
Chão seco, carvão e ozônio
Peste, pandemia, mar-plástico
Gosto de petróleo
Na barriga da tartaruga
Aquela coisa que me machuca
Aperta do pescoço do albatroz
Tem festa domingo, eles riem
Enquanto o globo terrestre gira
Nos olhos de um animal
A caminho do matadouro
E o plástico no pescoço do albatroz